
Em uma quarta-feira quente de março, chegou o momento aguardado por milhares de fãs gaúchos, o tão esperado show do Iron Maiden em Porto Alegre. A primeira e única vez que a banda havia pisado em solo sulista foi no longínquo ano de 1992, com a Fear Of The Dark Tour.
O local escolhido para o show, apesar dos constantes protestos do público durante os meses anteriores, foi o Gigantinho, um ginásio fechado ao lado do estádio Beira Rio, pertencente ao Esporte Clube Internacional. Pequeno e abafado, conteve em torno de 15.000 fãs do Maiden, distribuídos pelas arquibancadas, cadeiras e pista. Devido ao número elevado de pessoas, mais do que o ginásio poderia suportar, a situação lá dentro para muita gente foi bastante caótica, dolorida e difícil, principalmente para quem optou por ficar na pista.

Um grande grupo de seguidores do maiden acampava a dias nos arredores do Gigantinho. Quem conhece o local consegue imaginar que não é uma tarefa das mais fáceis. No momento da abertura dos portões, começavam os sinais de que a segurança não conseguia tomar conta de tudo. Filas que se uniam próximas às entradas, pessoas discutindo quando alguém tentava furar a fila, e o Gigantinho começava a encher. A tarde estava quente, o que ajudou a aumentar a panela de pressão que viria a seguir.
Assim que a grande maioria do público já havia entrado, sem que muita gente se desse conta, Lauren Harris e sua banda entram no palco do Gigantinho. Um pano preto tapava a parte maior do palco, que aguardava a atração principal. O som leve e praticamente pop de Lauren não sacudiu muito as estruturas, foi mais um aquecimento para o que estava por vir a seguir. O set foi curto e logo os roadies voltavam ao palco para os ajustes finais antes do Maiden.

Com a música "Doctor Doctor" do UFO tocando nos PAs, serve de sinal de que está tudo ok, é chegado o grande momento da noite. Apagam-se as luzes e o discurso de Churchill eleva a adrenalina dos fãs ao nível máximo, todos sabiam o que viria a seguir, Aces High, para não deixar pedra sobre pedra. Seguem-se hinos memoráveis, cantados a plenos pulmões pelos presentes, "Two Minutes To Midnight", a emocionante "Revelations" que raramente é executada nas turnês, a longa e trabalhada "The Rime Of The Ancient Mariner", executada com perfeição. A técnica de palco da equipe do Iron, aliada à qualidade da performance, conseguiu sobrepujar a tradicional falta de boa acústica no Gigantinho.
A produtora local do show pecou em diversos fatores, o que prejudicou a experiência de muitos dos pagantes. Para quem conseguiu apreciar o show com calma, na medida do possível, ficou claro porque tamanha devoção pelo Iron Maiden, nos quatro cantos do mundo, uma banda que faz o som que seus fãs gostam de ouvir, sem concessões comerciais (sim, estou me referindo a MTv, FMs e principais veículos de mídia de massa), interpretações perfeitas e poderosas, como eles próprios dizem, não basta você ver no DVD ou Notebook, um show do Iron Maiden você precisa estar presente. Quem esteve lá naquela quarta-feira quente de março, pode comprovar.
Em determinado momento do show, ainda nas músicas iniciais, Bruce Dickinson olhou aquela estrutura fechada, a multidão que ali se encontrava, o palco da banda também limitado pelo espaço pequeno e comentou: "-Tem um grande estádio de futebol aqui do lado! No ano que vem vamos voltar aqui e não vai ser para jogar futebol, e sim para tocar Rock 'n' Roll!!!!"
Up The Irons!
SetList:
- Aces High
- Two Minutes To Midnight
- Revelations
- The Trooper
- Wasted Years
- The Number Of The Beast
- Run To The Hills
- Rime Of The Ancient Mariner
- Powerslave
- Heaven Can Wait
- Can I Play With Madness
- Fear Of The Dark
- Iron Maiden
- Moonchild
- The Clairvoyant
- Hallowed Be Thy Name
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